quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Meus filhos, meus tesouros sempre, sempre



Há dias

Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo
nos cai em cima
depois ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam
não lhes sei o nome
uma ou outra parece-se comigo
quero eu dizer :
com o que fui
quando cheguei a ser luminosa
presença da graça
ou da alegria
um sorriso abre-se então
num verão antigo
e dura
dura ainda.


Eugénio de Andrade


As crianças são terapêuticas, elas não sabem nem sonham o poder de regeneração que nos trazem, como nos recarregam as baterias de felicidade e calma interior depois de um dia  de trabalho. Não me refiro à criança que fui mas aos meus filhos que são os meus maiores tesouros. Costumo dizer referindo-me a eles, que pelo que exigem (estou agora em casa de baixa de maternidade depois de ter dado à luz dois gémeos, em Setembro) ando cansada. Sou mãe de três filhos, uma menina de 6 anos e uma menina e um menino de 4 meses e meio de idade. Ter gémeos não é pêra doce. Sou uma mulher cansada ...mas rica...mas mais feliz.

Falar de poemas e de crianças abriu-me o apetite para um outro texto, este de Ruy Belo: 

"Ninguém sabe andar na rua como as crianças. Para elas é sempre uma novidade, é uma constante festa transpor umbrais. Sair à rua é para elas muito mais do que sair à rua. Vão com o vento. Não vão a nenhum sítio determinado, não se defendem dos olhares das outras pessoas e nem sequer, em dias escuros, a tempestade se reduz, como para a gente crescida, a um obstáculo que se opõe ao guarda-chuva. Abrem-se à aragem. Não projectam sobre as pedras, sobre as árvores, sobre as pessoas que passam, cuidados que não têm. Vão com a mãe à loja, mas apesar disso vão sempre muito mais longe. E nem sequer sabem que são a alegria de quem as vê passar. (...)"

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