quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Adivinha Quanto Eu Gosto de Ti



Os bons livros infantis falam tanto às crianças como aos adultos. (Podem é dizer coisas diferentes!)   

Pelo menos comigo falam! 

Principalmente depois do nascimento dos irmãos, sinto na minha filha de 6 anos a necessidade de ouvir e sentir o quanto eu gosto dela. Sempre  verbalizei o meu amor por ela: todas as noites a rego de beijos e lhe sussuro ao ouvido "Amo-te muito, muito, muito". Mas as palavras parecem pouco, tamanho é o sentimento.

Gosto de lhe contar uma história que expressa precisamente esta dificuldade ou impossibilidade de medir e verbalizar o imensurável porque IMENSO - o meu amor por ela. Esta história deliciosa foi escrita por Sam McBratney e ilustrada por Anita Jeram. Chama-se  Adivinha Quanto Eu Gosto de Ti, é da Editorial Caminho e está recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para leitura em voz alta em Jardins-de-Infância.




Neste livro, a Pequena Lebre Castanha e a Grande Lebre Castanha mostram como o amor não é fácil de medir e de transmitir:

A pequena lebre cor de avelã, que ia deitar-se, agarrou-se firmemente às longas orelhas da grande lebre cor de avelã. Queria ter a certeza de que a grande lebre cor de avelã estava a ouvi-la: “Adivinha quanto gosto de ti.”, disse ela.


“Oh, não sei se sou capaz de adivinhar isso.”, disse a grande lebre cor de avelã.


“Isto tudo.”, disse a pequena lebre cor de avelã, esticando os braços para os lados tão longe quanto podia. A grande lebre cor de avelã tinha os braços ainda mais compridos.
“Mas eu gosto de ti isto tudo.”, disse.


Hmmm… Isso é muito, pensou a pequena lebre cor de avelã. “Gosto de ti tão alto quanto consigo alcançar.”, disse a pequena lebre cor de avelã.


“Eu gosto de ti tão alto quanto eu consigo alcançar.”, disse a grande lebre cor de avelã.
Isso é mesmo muito alto, pensou a pequena lebre cor de avelã. Quem me dera ter braços assim. Então, a pequena lebre cor de avelã teve uma boa ideia. Fez o pino e chegou com os pés ao tronco da árvore. “Gosto de ti até à ponta dos meus pés!”, disse.


“E eu gosto de ti até à ponta dos teus pés.”, disse a grande lebre cor de avelã, balançando-a no ar.


“Gosto de ti tão alto quanto consigo saltar!”, disse a pequena lebre cor de avelã rindo e saltitando.


“Mas eu gosto de ti tão alto quanto eu consigo saltar.”, sorriu a grande lebre cor de avelã e saltou tão alto que as suas orelhas tocaram nos ramos da árvore. 


Que belos saltos, pensou a pequena lebre cor de avelã. Quem me dera conseguir saltar assim. “Gosto de ti por aquele caminho abaixo, até ao rio.”, gritou a pequena lebre cor de avelã.

“Gosto de ti até depois do rio e das montanhas.”, disse a grande lebre cor de avelã. 


Isso é muito longe, pensou a pequena lebre cor de avelã. Já estava tão ensonada que mal conseguia pensar. Então, olhou a grande noite escura por entre os arbustos. Nada poderia estar tão longe quanto o céu. “Gosto de ti até à Lua.”, disse, fechando os olhos.

“Oh, isso é longe.”, disse a grande lebre cor de avelã. “Isso é mesmo muito longe.” A grande lebre cor de avelã deitou a pequena lebre cor de avelã na sua cama de folhas. Inclinou-se sobre ela e deu-lhe um beijo de boas-noites.


Então, deitou-se bem perto e sussurrou com um sorriso “Gosto de ti até à Lua… e de volta até à Terra.


Verdadeiramente delicioso. Recomendo. 

Amo-te minha filha. Quanto....Quanto...
 

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