sexta-feira, 2 de março de 2007

A biblioteca e o leitor aprendiz que lendo quer ser feliz






A biblioteca é uma casa
Onde os livros moram
Como uma família feliz,
Embora seja muito diverso,
Seja em prosa, seja em verso,
Aquilo que cada um diz.

A biblioteca é o tecto
Do afecto e do amor da leitura,
Saboreada devagar,
Cada página uma aventura,
Como quem tece o fio
Do novelo da ternura.

A biblioteca é o lugar das perguntas
Que ás vezes ficam sem resposta,
E é disso que ela mais gosta,
Por entender que as certezas
Não são a melhor aposta
E que as dúvidas,
Por serem aquilo que são,
Acabam, tarde ou cedo,
Por iluminar o coração.

A biblioteca é o livro e o jornal,
O vídeo e a internet,
O sítio que nos promete
essa festa sem igual
da descoberta de um autor, 
que se faz caso de amor,
com a ideia original
de que nada é banal
se for um acto criador.

A biblioteca é a casa
Mais doce e mais terna
Que podemos desejar
Quando partimos em busca
De um livro ou de um poema
Que nos pode transformar,
Se for o ouro do que somos
Que nós queremos encontrar.

A biblioteca é a arca
Do tesouro mais secreto
Que pode caber, sem o saber,
No casulo do afecto,
Arca branca da magia
Que habita o território
Onde mora a poesia.

A biblioteca é o tecto
Que abriga o Principezinho,
Peter Pan e Anne Frank
E todos os outros heróis,
Luminosos como sóis
De uma galáxia distante
Por onde passa o cometa
Da imaginação errante,
Que por ser livre e veloz
Chegará ao fim da história
Alegre e triunfante.

A biblioteca é um livro aberto
Com janelas que nos mostram
O oceano ou o deserto
E que nos ensina que é em nós
Que o rio do que sabemos
Há-de encontrar a foz,
Porque é sina dos leitores,
Sendo livres como livros,
Nunca ficarem sós.

A biblioteca é a pepita escondida
E o diamante guardado 
Que dentro de um livro
Levamos para todo o lado
Sem nunca sentirmos medo
Do gozo que ele nos dá
Ou mesmo do desassossego
Que nele se encontrará,
Mistério irrevelado
De um capítulo inacabado.

A biblioteca tem ecos de sinfonia
E conversa com a prima
Que mora em Alexandria
E que já viu as coisas más
De que o homem se não lê
Acaba por ser capaz,
Só por temer que a leitura,
Iluminando a cidade,
Escreva por dentro de nós
A palavra liberdade,
Como se com ternas letras
Quisesse chegar mais longe
E desenhar na lombada
O nome da felicidade.

A biblioteca é a viagem
Do nosso encantamento,
Entre o fio do silêncio
E a voz do pensamento,
É o novelo dos dias
Levando de estante em estante
Romances e poesias,
A vogal e a consoante,
Inventos e fantasias
E a aventura galante,
Fazendo de cada leitor
Um eterno viajante.

A biblioteca é a casa
Desse eterno leitor aprendiz
Que lendo e relendo,
Vai descobrindo e esquecendo,
Assim como quem diz:
“Cada livro que descubro
É apenas mais um passo
Para me sentir feliz.”


José Jorge Letria
Março de 2003

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