sábado, 10 de março de 2007

O bom leitor


Já em 1890 Eça de Queirós se queixava que "O país não lê nem quer ler. Quando muito aguenta um romance. Isto está, em todos os sentidos, cada vez mais baixo."

Nos dias de hoje a situação mantém-se. Fala-se sobretudo dos jovens que não lêem, que não gostam dos livros, que os "despacham" apenas por obrigações escolares.

Mas, para que sejam criados hábitos de leitura, é decisivo começar a ouvir ler o mais cedo possível, preferencialmente vivendo num ambiente rodeado de livros e de leitores: pais, avós, irmãos, tios para quem a leitura seja um prazer e mesmo uma necessidade.

Uma pedagoga de nome Dorothy Einon fala de livros para bébés nestes termos:

"Uma criança de dois anos que nunca se habituou a ter um livro nas mãos é uma criança extremamente carenciada (exagero!). Se o leitor quiser começar a dar livros ao seu bébé quando ele tiver seis semanas de idade (eu não diria tanto), acredite que não faz nenhuma tolice; mas se lhos começar a dar aos seis meses (acho melhor), ainda não vai tarde (vou muito a tempo!). (...) A regra de ouro será quando o seu braço leitor conseguir equilibrar a criança e o livro ao mesmo tempo. Embora aos dois meses os livros sejam para a criança apenas cores e formas atraentes, têm um valor imenso esses momentos de tranquilidade em que o pai ou a mãe pegam no filho e com ele folheiam um livro antes de o pôr no berço(tem toda a razão!)."

É caso para dizer que a mão que embala o berço governa não só o mundo como o futuro dos livros.

Aquilo de que Eça de Queirós se queixava há mais de um século continua a ser ouvido e reiterado vezes sem conta. É necessário que os pais e educadores percebam que a leitura começa com o simples contacto físico com o objecto livro e que a voz do pai, mãe ou avô lhe confere o encanto necessário para que mais tarde não se diga: "o meu filho não gosta de ler".

Acredito piamente que um leitor sacrificado acabará por ver condicionado o seu aproveitamento escolar. Terá dificuldades na interpretação dos textos e na escrita, na exposição das suas próprias ideias. Daniel Pennac sublinha que "o verbo ler não suporta o imperativo". O gosto pela leitura e a curiosidade intelectual a este associado estão directamente relacionados com o sucesso ou insucesso escolar de que tanto se fala.

A família, a escola, a biblioteca escolar e a biblioteca municipal são actores fundamentais nesta luta contra esta iliteracia relativa.

Bons leitores serão melhores alunos e cidadãos mais activos.

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