terça-feira, 6 de março de 2007

Quando um bébé ri, nasce uma fada.


“Sabem, quando um bébé ri pela primeira vez, o seu riso transforma-se numa fada. Muitas vezes transforma-se numa fada da terra firme (numa fada importante com varinha de condão e tudo; ou numa fada menos importante, mas também com varinha de condão; ou numa fada lança-feitiços; ou em fada gigante pisca-pisca). Mais raramente transforma-se numa fada da Terra do Nunca.”



Gail Carson Levine, As Fadas e o Feitiço do Fogo



Durante anos vivi longe deste universo do féerico, esquecido por mim num baú poeirento de recordações da minha infância, juntamente com o Pai Natal, os contos populares do bicho-homem que o meu avô me contava, as cegonhas de Paris, a Mary Poppins e o Limpa-Chaminés.


É certo que me seduzia o realismo fantástico da literatura latino-americana, especialmente Gabriel Garcia Márquez, mas as fadas reapareceram depois.

 
Foi a minha filha Luana, então bébé, que, rindo com os lábios e o olhar, fez renascer as fadas na minha vida. Foi ela que me conduziu, sem a consciência do poder que exercia sobre mim, aos recantos confortáveis da Literatura Infantil, à sedução dos mundos onde tudo é possível, à magia da inocência, à excitação do ressuscitar da imaginação.

 
Criou em mim a ilusão de que era eu que lhe apresentava um mundo novo presente nos livros. Mas eu que não me engane. É ela que partilha comigo este universo maravilhoso. Incentivando-me à busca de histórias encantadas, deixando-se enlevar pelas minhas narrativas, presenteando-me com o brilho dos seus olhos sonhadores e com a vozinha doce pedindo: “Oh mãmã, conta mais!”

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