domingo, 18 de março de 2007

"Saiba: todo o mundo teve infância"

Adriana Calcanhoto editou em 2005 um albúm direccionado para o público infantil, Adriana Partimpim.



O espectáculo em DVD é bonito de se ver. Um show poético e que alarga horizontes em termos de criatividade. O cenário está decorado de forma alegre e muito colorida, com animais reproduzidos em origamis gigantes. Tem algo da excentricidade de "Alice no País das Maravilhas".

Adriana entra e sai do espectáculo a voar, literalmente. Rodeada de balões. Com aqueles grandes óculos cor de rosa ( a caixa do DVD traz uma réplica destes óculos para recortar). A cantar "Saiba".



Bem acompanhada por Dé Palmeira (baixo), Guilherme Kastrup (percussão), Ricardo Palmeira (guitarra) e Marcos Cunha (teclados), a verdade é que os músicos transcenderam o convencional usando, além dos instrumentos musicais tradicionais, caixas de música (que eu acho objectos encantados), prato e colher, sacos plástico, lixa, garrafas e até água para fazer a sonoplastia. É um momento mágico quando ela toca numa grande bacia de água. Aliás, o documentário que vem nos extras, intitulado Tudo é Música faz jus ao título e mostra como realmente tudo, mas tudo mesmo, serve para fazer música.

Embora tenha sido feito para crianças, Adriana diz que a sua música é de "classificação livre", para todas as idades. Basta ter um espírito aberto e jovem.

A preferida da minha filha é simplesmente deliciosa: "Fico assim sem você". A letra é do mais bonito e inocente que há em termos de declarações de amor! É um original de Claudinho e Buchecha (sejam eles quem forem, obrigada).



Avião sem asa.
Fogueira sem brasa.
Sou eu assim sem você.
Futebol sem bola.
Piu-piu sem Frajola.
Sou eu assim sem você.

Porquê é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim?
Eu te quero a todo instante.
Nem mil auto-falantes.
Vão poder falar por mim.



Amor sem beijinho.
Buchecha sem Claudinho.
Sou eu assim sem você.
Circo sem palhaço.
Namoro sem amasso.
Sou eu assim sem você.



Tô louco pra te ver chegar.
Tô louco pra te ter nas mãos.
Deitar no teu abraço.
Retomar o pedaço.
Que falta no meu coração.



Eu não existo longe de você.
E a solidão é o meu pior castigo.
Eu conto as horas pra poder te ver.
Mas o relógio tá de mal comigo.



Por quê?
Por quê?
Neném sem chupeta.
Romeu sem Julieta.



Sou eu assim sem você.
Carro sem estrada.
Queijo sem goiabada.
Sou eu assim sem você.



Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim?
Eu te quero a todo instante.
Nem mil alto-falantes.



Vão poder falar por mim.
Eu não existo longe de você.
E a solidão é o meu pior castigo.
Eu conto as horas pra poder te ver.
Mas o relógio tá de mal comigo.

Eu não existo longe de você.
E a solidão é o meu pior castigo.
Eu conto as horas pra poder te ver.
Mas o relógio tá de mal comigo.


Além do mais, ela tem realmente a arte de nos mostrar que o mais banal pode ser dito de forma a que nos encante, e nos leve a cantar. Por isso, deixo-vos também com a letra de Saiba (cujo autor é Arnaldo Antunes). Saiba.





Saiba: todo o mundo foi neném 
Einstein, Freud e Platão também
Hitler, Bush e Sadam Hussein
Quem tem grana e quem não tem


Saiba: todo o mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
E também você e eu


Saiba: todo o mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar


Saiba: todo o mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano




Saiba: todo o mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao Tsé, Moisés, Ramsés, Pelé
Ghandi, Mike Tyson, Salomé




Saiba : todo o mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
E também eu e você.

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