domingo, 8 de abril de 2007

Duas portas, dois poemas



Vinicius de Moraes, ou “o poetinha” como ficou conhecido (autor de frases célebres como Que não seja imortal, posto que é chama /Mas que seja infinito enquanto dure ou O uísque é o melhor amigo do homem. É o cachorro engarrafado) tinha um grande carinho pelas crianças e compôs com Toquinho, lindas músicas infantis, cujos poemas encontramos agora em antologias. Se quiserem fazer a vossa própria antologia de poemas de Vinicius basta ir a http://www.viniciusdemoraes.com.br/. Podem escolher uma capa, dar um título, escrever uma introdução, comentários e dar o link para os amigos lerem. Aqui fica o poema infantil A porta.



A PORTA



Eu sou feita de madeira.
Madeira, matéria morta.
Mas não há coisa no mundo
mais viva do que uma porta.
Eu abro devagarinho
pra passar o menininho
eu abro bem com cuidado
pra passar o namorado
eu abro bem prazenteira
pra passar a cozinheira
eu abro de supetão
pra passar o capitão.
Só não abro pra essa gente
que diz (a mim bem me importa…)
que se uma pessoa é burra
é burra como uma porta.
Eu sou muito inteligente!
Eu fecho a frente da casa
fecho a frente do quartel
fecho tudo neste mundo
só vivo aberta no céu.



Vinicius de Moraes / Toquinho in Poesia completa e prosa: "Poemas infantis"







Não sei quem seja Adelaide Love (o nome tem um certo exotismo, se já tivesse ouvido falar acho que me lembrava). Procurei na net mas não encontrei nada sobre esta pessoa. Se alguém souber... agradeço que partilhe comigo. Mas gostei do seu poema que aqui fica.

(Um leitor informou-me posteriormente que Adelaide poderá ser uma das autoras de uma colecção de contos e poemas para crianças em 16 volumes: Storytelling and Other Poems - Poems of Early Childhood; Folk and Fairy Tales; Animal Friends and Adventures; Life in Many Lands; Great Men and Famous Deeds) editado em 1949. Sem certezas. De qualquer forma, obrigada Siber. :)



LIVROS


Os livros, penso que são
Como portas encantadas,
Que levam a lindas terras,
Onde moram anões e fadas.


Lugares longe e tão belos
Aonde eu não podia ir,
Mas, agora, com esta porta,
É só ter cuidado e... abrir.


Adelaide Love, retirado DAQUI.


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