quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O arenque fumado editado pela Bruaá: este peixe cheira bem, cheira a prazer da leitura



O Arenque Fumado é a mais recente edição da Editora Bruaá que a cada livro nos surpreende, emociona e diverte. Ainda hoje abri este livro sem páginas, um livro harmónio que nos obriga a exercitar o pescoço para o ler, o malandro, malandro, malandro. O que é bom, o que é bom... cria leitores ginasticados e criativos. :)


O texto é non-sense e ensina sobretudo as possibilidades da liberdade criativa, de brincar com as palavras e os sons da nossa língua.

Aqui fica o texto:

Era um grande muro branco — nu, nu, nu,
Contra o muro, uma escada — alta, alta, alta,
E, no chão, um arenque fumado — seco, seco, seco.




Ele chega, trazendo nas mãos — sujas, sujas, sujas,
Um martelo pesado, um grande prego — bicudo, bicudo, bicudo,
Um novelo de fio — grosso, grosso, grosso.


Sobe então à escada — alta, alta, alta,
E espeta o prego bicudo — toque, toque, toque,

No alto do muro branco — nu, nu, nu.


Ele larga o martelo — que cai, cai, cai,
Prende ao prego a corda — longa, longa, longa,
E, na ponta, o arenque fumado — seco, seco, seco.


Volta a descer a escada — alta, alta, alta,
Leva-a com o martelo — pesado, pesado, pesado,
E depois afasta-se para algures — longe, longe, longe.


Então o arenque fumado — seco, seco, seco,
Na ponta da corda — longa, longa, longa,
Fica lentamente a balançar — sempre, sempre, sempre.


E eu inventei esta história — simples, simples, simples,
Para enfurecer as pessoas — sérias, sérias, sérias,
E divertir as crianças — pequenas, pequenas, pequenas.




Charles Cros




Bruaá

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