sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A magia da fada dos dentes



Escrito por Elsa Páscoa em 30 de Novembro 2015 para a Pais & Filhos:


Tão crescido que está de repente! Parece que foi ontem que começou a escola e agora sorri-nos com boca de pirata enquanto mordisca o pão do lanche com menos um dente. Esta etapa deve ser celebrada de alguma forma e a Fada dos Dentes é uma óptima opção.


As crianças desta idade já não querem ser pequenas. Querem mudar, crescer, transformar-se em meninos e meninas crescidos e capazes… e a queda dos dentes é  uma parte importante dessa transformação a todos os níveis. Quando o primeiro dente começa a abanar, a criança sente que, pouco a pouco, vai deixando para trás as coisas de bebé para se aproximar das dos miúdos crescidos (com os quais já partilha alguns interesses).
E quando o dente cai, mostra com todo o orgulho do mundo o “buraquinho” que demonstra o quão grande já é.
A Fada dos Dentes vem aqui assumir um papel importante: a magia e a emoção de espreitar debaixo da almofada pela manhã e descobrir a surpresa.
- Celebrar a Fada dos Dentes é, para muitas famílias, a maneira de expressar a alegria que todos sentimos quando uma criança vai ficando “crescida”.
- Para a criança, a troca do dente por um presente transforma-se num ritual de transição: uma forma de dar importância a um facto que marcará (como tantos outros) um antes e um depois na sua vida.
- Ao ser algo que se partilha com toda a família e pelo qual todas as crianças da mesma idade passam (às vezes seguindo à risca a tradição durante gerações), representa a vivência comum de uma mudança individual: alimenta o sentimento de pertença a uma família e a uma cultura particular.
- A magia é um elemento importante na vida da criança. Expectativa, curiosidade, surpresa, ilusão… todas são emoções que deveriam fazer parte do tecido vital da criança.
- Para algumas a ideia de perder um dente pode ser angustiosa (para os adultos é). A chegada da Fada dos Dentes transforma os medos em ilusão.

Uma fada universal
A Fada dos Dentes não trabalha sozinha. É uma personagem da mitologia popular de muitos países (sobretudo de língua inglesa). Este ser mágico recolhe os dentes que as crianças deixam debaixo das almofadas e substitui-os por um presente, geralmente dinheiro. Mas tudo isto (quer a figura, quer o presente) pode ser “inventado” por cada família-
Em quase todas as culturas existe uma figura parecida que se encarrega de recolher os dentes que caiem em troca de uma surpresa. Nalgumas zonas de Espanha, esta tarefa é realizada pelo ratinho Pérez, enquanto na Catalunha este trabalho é encomendado a Angelet (o Anjinho) e no País Basco – sobretudo em Vizcaya – é a Mari Teilatukoa (Mari do telhado) que se encarrega, pois nalguns lugares é tradição atirar os dentes das crianças para os telhados das casas.
O Topino (Topolino ou Fatina, que significa “fadinha”) é uma simpática personagem que faz parte do folclore italiano. A Petite Sourie trabalha em França e é uma ratinha. De facto, o seu nome significa “a ratinha”. Na Irlanda, o trabalho é feito por uma linda rata branca que compra os dentes às crianças em troca de moedas. Claro que elas os vendem sem hesitar.
A espera torna-se mais fácil e emocionante se escrevermos uma carta à Fada avisando-a de que um dente já se mexe e dando-lhe detalhes sobre o lugar exacto da casa onde se encontra a almofada.

É importante ter um presente preparado

Não vamos ser apanhados de surpresa!
Uma Fada não pode transportar objectos muito maiores do que ela, assim será ideal que o presente seja pequeno, não maior do que a Fada.

É muito mais excitante se os primeiros presentes forem algo personalizados.
Não há problema em deixar um par de euros (bem limpos) debaixo da almofada. Se optarmos por dinheiro, este deveria ter um significado especial e não servir para ser gasto de uma forma fácil ou trivial (na primeira loja de doces do bairro, por exemplo).

Há famílias que decidem partilhar a verdade com os filhos desde o primeiro momento. É uma opção completamente respeitável sempre e quando se mantenha a ilusão e se faça um ritual, mesmo que não seja o da Fada dos Dentes. É importante que, se lhe dissermos a verdade (ou acabar por a descobrir), avisemos o nosso filho que não deve revelar às outras crianças esse segredo mágico.

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